El Niño intensifica chuvas e eleva risco de doenças após enchentes

El Niño intensifica chuvas e eleva risco de doenças após enchentes

El Niño intensifica chuvas e eleva risco de doenças após enchentes

Fenômeno altera regime de chuvas no país e favorece alagamentos que aumentam risco de leptospirose, diarreias e outras infecções

Impactos do El Niño: o aquecimento das águas do Pacífico altera o regime de ventos e chuvas, podendo causar enchentes em partes do Brasil;

Riscos à saúde: enchentes rompem a separação entre água limpa e esgoto, elevando a exposição a doenças como leptospirose e gastroenterites;

Medidas preventivas: especialistas recomendam evitar o contato com a água de alagamentos e descartar alimentos que foram atingidos por ela.

O aquecimento das águas do Pacífico que caracteriza o El Niño tem impacto direto no regime de chuvas no Brasil. Em alguns períodos, o fenômeno aumenta o volume e a intensidade das precipitações em determinadas regiões, o que favorece episódios de alagamentos e enchentes. Nessas situações, além dos danos imediatos, cresce também o risco de doenças associadas à água contaminada.

Segundo Andrei Polejack, diretor de pesquisa e inovação do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO), o fenômeno começa com o aumento da temperatura da superfície do mar em uma faixa do oceano próxima à América Central.

“O oceano mais aquecido aumenta a evaporação de água, favorece a formação de nuvens e altera o regime de ventos, que passam a levar essas chuvas para partes da América do Sul”, explica.

No Brasil, os efeitos costumam se traduzir em mais chuva no Sul e na região amazônica, enquanto outras áreas enfrentam períodos de seca. Quando essas precipitações ocorrem em grande volume e em pouco tempo, o solo e os sistemas urbanos não conseguem absorver a água.

“Você passa a capacidade de suporte do ambiente. Essa água não escoa como deveria e tende a se acumular, o que favorece enchentes, principalmente em áreas urbanas com drenagem insuficiente”, afirma.

Com a água invadindo ruas e casas, o cenário deixa de ser apenas um problema de infraestrutura e passa a afetar diretamente a saúde da população. O infectologista Henrique Valle Lacerda, do Hospital Brasília, explica que as enchentes rompem a separação entre água limpa, esgoto e lixo, espalhando microrganismos.

“A água contaminada pode entrar em contato com pele, olhos e mucosas, além de contaminar alimentos e fontes de água potável”, aponta.

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