“Precisamos ter acesso a medicamentos para obesidade nos SUS”, diz Halpern
Presidente da Federação Mundial de Obesidade, Bruno Halpern defende criação de linha de cuidado completa para conter impacto da doença
Tratamento da obesidade: agonistas do receptor de GLP-1 transformam o tratamento da obesidade, mas não há previsão de incorporação no SUS;
Posicionamento médico: o endocrinologista Bruno Halpern defende a criação de uma linha de cuidado multidisciplinar no SUS para atender os 30% da população brasileira com obesidade;
Barreiras no SUS: pedidos de inclusão na rede pública enfrentam negativas da Conitec devido ao alto impacto orçamentário.
Nos últimos anos, os medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1 vêm transformando o tratamento da obesidade. Apesar dos resultados significativos, eles ainda estão disponíveis apenas para uma parte da população, e não há previsão para a incorporação no Sistema Único de Saúde (SUS).
O endocrinologista Bruno Halpern, presidente da Federação Mundial de Obesidade (World Obesity Federation), defende que é preciso aliar a inclusão dos medicamentos no SUS com o aprimoramento dos médicos, acompanhamento multidisciplinar e uma linha de cuidados que tenha profissionais capacitados.
“Nós precisamos ter acesso a medicamentos para obesidade no SUS, e não só isso. Vou um pouco além: acho que precisamos de uma linha de cuidado de tratamento com obesidade”, afirma o médico, em entrevista ao Metrópoles.
Segundo Halpern, que participa do 37º Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia (CBEM 2026), no Rio de Janeiro, a implantação dessa estrutura no SUS se justifica pelo impacto da obesidade, considerada um problema de saúde pública de grande dimensão.
Ele cita que, no Brasil, 30% da população tem obesidade e 68% apresenta sobrepeso. A condição está associada a mais de 200 outras doenças, como as cardiovasculares e câncer, além de diminuir a expectativa de vida.
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