Crianças sofrerão impacto "desproporcional" do El Niño, alerta Unicef
Entidade alerta que crianças são mais vulneráveis às mudanças climáticas urgentes por estarem em desenvolvimento, e precisam ser protegidas
Relatório da Unicef: crianças serão impactadas desproporcionalmente pelo El Niño, com riscos de desnutrição, surtos de doenças e interrupção de serviços;
Cenário no Brasil: o país enfrenta risco de chuvas intensas e inundações no Sul, enquanto o Norte apresenta seca severa e risco de incêndios;
Ações sugeridas: o documento defende a preparação imediata para desastres, com foco em fortalecer infraestruturas de saúde, educação e saneamento.
Um relatório divulgado pela Unicef nesta quinta (8/10) alerta que as crianças serão impactadas de forma desproporcional pelo El Niño.
Segundo o documento, o grupo está exposto ao aumento acentuado da desnutrição aguda grave, surtos de cólera, dengue e malária, além da interrupção de serviços essenciais de saúde e cadeias de frio de vacinas.
Segundo a Unicef, por estarem em desenvolvimento, as crianças são particularmente sensíveis ao calor extremo, à desidratação, à fumaça, à má nutrição e a doenças favorecidas por mudanças de temperatura e nos padrões de chuva.
Alta de arboviroses, por criar condições favoráveis à proliferação do Aedes aegypti.
Perdas agrícolas e aumento no preço dos alimentos, desencadeando insegurança alimentar e má nutrição.
Diminuição da disponibilidade de água segura e danificação de sistemas de saneamento.
Mudanças climáticas extremas podem interromper aulas, alimentação escolar e serviços.
As meninas serão principalmente afetadas. Elas sofrem sobrecarga de trabalho doméstico, incluindo a coleta de água, são mais vulneráveis ao abandono escolar e sofrem risco elevado de violência baseada em gênero e casamento infantil. Na seca que durou de 2020 a 2023 no Chifre da África, o casamento infantil subiu 119%, por exemplo.
No Brasil, o risco é de chuvas intensas, inundações, destruição de estruturas de saneamento e surtos de dengue e cólera na região Sul. No Norte, o cenário é o oposto: seca severa, calor extremo e alto risco de incêndios florestais.
“A prioridade do Unicef é agir antes que os impactos do El Niño se agravem. No curto prazo, isso inclui preparação para desastres, prontidão para resposta e ação antecipatória para extremos climáticos previsíveis, além da prestação direta de serviços quando os sistemas governamentais de resposta estiverem sobrecarregados”, diz o texto.

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